Hiperparatireoidismo Terciário
Hiperparatireoidismo Terciário
O hiperparatireoidismo terciário ocorre quando as glândulas paratireoides, após um período prolongado de estímulo excessivo — geralmente por doença renal crônica de longa evolução —, passam a produzir hormônio paratireoidiano (PTH) de forma autônoma, mesmo quando a condição de base que originou o estímulo é corrigida ou controlada. É, na prática, a evolução de um hiperparatireoidismo secundário não controlado ao longo do tempo, mais comum em pacientes em diálise prolongada ou após transplante renal.
Como a condição se desenvolve
No hiperparatireoidismo secundário, as paratireoides aumentam sua atividade em resposta a um estímulo externo persistente, como o fósforo elevado ou a deficiência de vitamina D da doença renal crônica. Quando esse estímulo se mantém por tempo prolongado, uma ou mais glândulas podem desenvolver crescimento autônomo (hiperplasia ou, mais raramente, formação nodular), passando a secretar PTH de forma independente do estímulo original — mesmo após o transplante renal corrigir a função dos rins.
Fatores associados
Tempo prolongado de diálise antes do transplante renal.
Controle inadequado do fósforo e da vitamina D durante a fase de hiperparatireoidismo secundário.
Hiperparatireoidismo secundário de longa duração e não controlado clinicamente.
Persistência de PTH elevado mesmo após transplante renal bem-sucedido.
Sinais e sintomas
O quadro costuma se manter oligossintomático por período prolongado, sendo identificado por hipercalcemia persistente em exames de rotina, especialmente após transplante renal. Quando presentes, os sinais podem incluir:
Hipercalcemia persistente, muitas vezes o principal achado que motiva a investigação.
Dor óssea e fragilidade óssea associada à doença óssea de longa data.
Fraqueza muscular.
Cálculos renais, particularmente relevantes em pacientes transplantados, pela sobrecarga sobre o enxerto renal.
Prurido persistente e queixas articulares.
A hipercalcemia persistente após o transplante renal é o principal sinal de alerta para o hiperparatireoidismo terciário — e deve ser diferenciada de uma simples fase de ajuste transitório do PTH que pode ocorrer nos primeiros meses pós-transplante.
Diagnóstico
A investigação combina, tipicamente:
Dosagem de PTH e cálcio séricos: o achado característico é cálcio elevado com PTH persistentemente elevado, de forma autônoma.
Avaliação da função renal: para confirmar que a hipercalcemia não é mais explicada apenas pela doença renal de base, sobretudo em pacientes já transplantados.
Ultrassom cervical: para localizar e dimensionar as glândulas paratireoides aumentadas.
Exames de localização complementares: cintilografia com sestamibi ou tomografia de 4 dimensões, para mapear todas as glândulas envolvidas antes de uma eventual cirurgia — especialmente relevante quando há histórico de doença multiglandular.
A localização precisa de todas as glândulas envolvidas é determinante para o planejamento cirúrgico nesses casos, e é nessa etapa que a experiência do Dr. Rodrigo Tadashi em Cirurgia de Cabeça e Pescoço contribui para correlacionar os achados de imagem com a anatomia cervical individual, especialmente em pacientes já operados anteriormente.
Tratamento
Diferente do hiperparatireoidismo secundário, aqui a conduta tende à indicação cirúrgica com mais frequência, já que a autonomia glandular costuma não responder de forma sustentada ao tratamento clínico isolado:
Paratireoidectomia: tratamento definitivo mais indicado, geralmente envolvendo a remoção da maior parte do tecido paratireoidiano hiperfuncionante.
Monitoramento intraoperatório do PTH: utilizado durante a cirurgia para confirmar a remoção adequada do tecido autônomo.
Calcimiméticos: podem ser utilizados em pacientes sem condição cirúrgica imediata, para controle temporário dos níveis de PTH e cálcio.
Acompanhamento nefrológico conjunto: essencial em pacientes transplantados, para preservar a função do enxerto renal durante todo o tratamento.
A cirurgia em casos terciários costuma ser mais complexa do que no hiperparatireoidismo primário, frequentemente envolvendo múltiplas glândulas e, em alguns casos, reoperações — o que reforça a importância do planejamento anatômico detalhado antes do procedimento.
Acompanhamento
Após o tratamento, o acompanhamento periódico de PTH, cálcio e função renal permite confirmar a resolução do quadro e monitorar a saúde óssea e a função do enxerto renal, quando aplicável, ao longo do tempo.
Tem hipercalcemia persistente após transplante renal ou histórico prolongado de diálise com PTH elevado?
Agende uma consulta com o Dr. Rodrigo Tadashi Martines — Médico Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, CRM-SP 214.370 | RQE 153.287.

